DOSVOX - um novo acesso de cegos  cultura e ao trabalho

                                 por Jos Antonio Borges

 1 - Os deficientes visuais no Brasil

     Segundo dados obtidos com a Organizao Mundial da Sade, o  nmero
de deficientes visuais no Brasil    hoje  estimado  em  aproximadamente
150.000 pessoas.  Esse nmero serve apenas como base, uma  vez  que  no
existe estatstica oficial sobre deficincia em nosso pas.

     Uma pessoa cega tem diversas limitaes, que so obstculos  fortes
ao seu aproveitamento produtivo  na  sociedade.    Grande  parte  destas
limitaes podem ser virtualmente eliminadas atravs de dois elementos:

     . uma educao adaptada  sua realidade
     . uso de tecnologia para diminuir as barreiras.

O nmero de instituies especializadas  na  formao  desta  classe  de
pessoas ainda  restrito, e essas instituies  so  voltadas  para  sua
formao bsica.

     Qualquer cego, por outro lado, desenvolve muito  mais  do  que  uma
pessoa normal, trs elementos que so  muito  importantes  na  sociedade
contempornea:  raciocnio, memria e habilidade manual.   Desta  forma,
um cego, quando exposto a problemas que envolvam  tais  questes,  quase
sempre tem desempenho superior que uma pessoa normal. Com isso em mente,
os  pases  do  primeiro  mundo  do  emprego  a  deficientes   visuais,
provendo-lhes a tecnologia necessria, passando a contar  com  elementos
humanos de produtividade alta.

     Ignorando por um instante o problema  de  oportunidade,  existe  um
elemento chave que diferencia o cego brasileiro de um cego  do  primeiro
mundo: o acesso  educao e  cultura.  Isso   facilmente  explicvel:
existe um custo adicional  para  a  educao  do  cego.    Por  exemplo,
produzir um livro em Braille  muito mais caro e difcil do que um livro
comum, e assim, s so transcritos para Braille aqueles  que  so  muito
bsicos.  Jornais em Braille, nem pensar !

    Ensinar um deficiente visual  uma tarefa que  exige  uma  dedicao
especial, devido  a  alguns  problemas  peculiares,  que  se  concentram
especialmente na comunicao entre o deficiente e o no  deficiente,  em
especial  na  comunicao  escrita.  O  deficiente  visual  alfabetizado
conhece o alfabeto Braille, enquanto normalmente os no deficientes  no
conhecem. Para o caso das universidades isto se traduz numa  dificuldade
crtica, pois o deficiente se v  prejudicado  em  suas  avaliaes  que
normalmente  feita de forma escrita. Solues alternativas, tais como a
criao  de  turmas  especiais  acabam  por  discriminar  o   deficiente
isolando-o do resto da comunidade  acadmica.  A  soluo  est  no  uso
apropriado da tecnologia, para auxlio a essas pessoas.

     A despeito desta situao  adversa,  ainda  podem  ser  encontrados
(mesmo sendo em  nmero  reduzido)  deficientes  visuais  que  conseguem
vencer essas barreiras e ter acesso  educao. Contudo, as dificuldades
residem no apenas em ter acesso ao estudo, mas em que seja  obtida  uma
boa formao. At pouco tempo no existia no Brasil tecnologia capaz  de
ajudar esses deficientes a obter uma boa formao acadmica e  assim  se
gabaritar para poder enfrentar a vida e  a  sociedade  em  condies  de
menos desigualdade.

     Felizmente isso est mudando, com a disponibilidade de tecnologia a
custo baixo.  Dois elementos so chave deste processo: a  existncia  do
gravador porttil  e  o  microcomputador.    O  gravador,  permitindo  o
registro e a reproduo de textos a custo baixo,  foi  um  grande  salto
para acesso   cultura.    Hoje  existe  um  grande  nmero  de  "livros
falados", que ampliam o horizonte cultural do cego.

     O microcomputador, tecnologia muito  nova,  amplia  at  um  limite
inimaginvel as oportunidades do cego.   Desta  tecnologia  falaremos  a
seguir.

 2 - Tecnologia da computao a servio do cego

     Desde a dcada de 70,  foram  desenvolvidos  diversos  equipamentos
para serem acoplados  aos  computadores  grandes,  visando  adaptar  uma
pessoa cega ao seu uso.  Mesmo no Brasil,  existem  algumas  dezenas  de
cegos  que  trabalham  como  analistas  de  sistemas  e   programadores,
auxiliados por tais equipamentos.  Esses  equipamentos,  entretanto  so
relativamente caros, inviabilizando o seu uso amplo pela populao.

     Para completar o quadro, hoje em dia, o computador   utilizado  em
virtualmente todas os tipos de trabalho.  Alm disso, o barateamento  do
preo dos componentes eletrnicos provocou  sua  popularizao.    Hoje,
qualquer pessoa de classe mdia pode adquirir um microcomputador por  um
preo  accessvel.    Atualmente,  esto  facilmente   disponveis    no
computador recursos de udio e vdeo, numa viso  tecnolgica  conhecida
como multimdia.

     Para o deficiente visual, a existncia desta  tecnologia  de  baixo
custo  a chave para  sua  utilizao.    Atravs  do  uso  de  recursos
sonoros, por exemplo, um cego pode  utilizar  facilmente  o  computador,
pois a maior parte de sua interao com o mundo  feita  atravs  destes
meios (audio e fala).

     Naturalmente, a  utilizao  do  computador  deve  ser  viabilizada
atravs  da  utilizao  desses  recursos  em  programas   especialmente
preparados. Esses programas  suprem  a  deficincia  visual  atravs  da
utilizao de recursos sonoros (por  exemplo,  oferecendo  um  feed-back
sonoro das informaes mostradas no vdeo).  Tais  programas  podem  ser
agrupados em duas classes distintas:

     . programas de adaptao sonora,  que  possibilitam  ao  deficiente
utilizar os programas comerciais j existentes  no  mercado,  mesmo  que
esses no tenham sido preparados para falar;

     . programas aplicativos, similares aos que existem no  mercado  mas
adaptados s necessidades do deficiente.

     Existem  muitos  destes  programas  disponveis  no   mercado,    e
utilizveis em microcomputadores.  Infelizmente, at este momento, estes
programas tinham algumas restries muito srias:

     . a maior restrio: no falavam portugus.  Isso pode parecer  uma
       bobagem, mas o nmero de cegos que falam ingls  inferior a 1 por 
       cento!
     . custo alto.  Um programa de auxlio  pode  chegar  facilmente  ao
       custo de 1000 dlares ou mais.
     . utilizao de sintetizadores de voz caros.  A fala  produzida em
       sintetizadores cujo preo varia de 1000 a 3000 dlares.
     . os sistemas falam "computs".  Os  sistemas  existentes  utilizam
       todo jargo de computao, e assim, um cego s consegue dominar a
       ferramenta computacional  aps  um  treinamento  especializado  e  
       muitas vezes demorado.

     O sistema DOSVOX veio para mudar este panorama.

3 - O sistema DOSVOX

    O Ncleo de Computao Eletrnica da  UFRJ,  situado  no  Centro  de
Cincias Matemticas e da Natureza, criou o sistema DOSVOX, destinado  a
auxiliar os deficientes visuais a usar o computador, executando  tarefas
como edio de textos (com impresso comum ou  Braille)  leitura/audio
de  textos  anteriormente  transcritos,  utilizao  de  ferramentas  de
produtividade faladas (calculadora, agenda,  etc)  ,  alm  de  diversos
jogos.  O sistema fala atravs de um sintetizador de som de baixo custo,
que  acoplado a um microcomputador tipo IBM-PC.

    O sistema DOSVOX evoluiu a partir do trabalho  de  Marcelo  Pimentel
Pinheiro, estudante de informtica totalmente cego, e que desenvolveu  o
editor de textos do sistema.  Marcelo  hoje programador  do  NCE,  onde
trabalha  sob  orientao  acadmica  do  prof.  Jos  Antonio   Borges,
responsvel pela coordenao do projeto DOSVOX.


     So diversas as chaves que  provocaram  um  sucesso  extraordinrio
deste projeto, que hoje  utilizado  por  mais  de  500  cegos  de  todo
Brasil:

     . custo muito baixo -  o  sistema  foi  industrializado  e  hoje  
       vendido por menos de 100 dlares.
     . a tecnologia de produo    muito  simples,  e  vivel  para  as
       indstrias nacionais
     . o sistema fala e l em portugus
     . o dilogo homem-mquina  feito de forma simples, removendo-se ao
       mximo os jarges do "computs".
     . o sistema obedece s restries e caractersticas da maioria  das
       pessoas cegas leigas.
     . o sistema utiliza padres internacionais de computao, e  assim,
       o DOSVOX pode ser lido e ler dados e textos gerados por programas  
       e sistemas de uso comum em informtica.

    O projeto tem um grande impacto social pelo benefcio que  ele  traz
aos deficientes visuais, abrindo novas perspectivas  de  trabalho  e  de
comunicao.  O projeto  resultado do esforo de muitas pessoas,  entre
as  quais  se  destacam  o  Eng.  Diogo  Fujio  Takano,  projetista   do
sintetizador de custo baixo e o analista Orlando  Jos  Rodrigues  Alves
(in memoriam) desenvolvedor de grande parte do sistema, e  Luiz  Cndido
Pereira Castro, tambm cego, que  o responsvel  pela  distribuio  do
DOSVOX para o Brasil.  Segundo ele, "o  mundo  no  vai  se  amoldar  s
necessidades do cego.  Ele  que tem  que  se  adaptar  s  dificuldades
impostas por este".

     A tecnologia, portanto, existe no Brasil.   A  idia,  portanto,  
torn-la disponvel para a comunidade.  O prximo  bloco  fala  de  como
esta tecnologia pode ser aplicada aos diversos problemas.

4 - Aes concretas atravs do sistema DOSVOX

     Organizamos a seguir diversas situaes em que  o  uso  do  sistema
DOSVOX pode ser a chave da soluo para  os  problemas  do  portador  de
deficincia visual.    So  propostas  as  aes  para  solues  dessas
situaes.

a) formao da criana e jovem deficiente visual

     A formacao da crianca e jovem cego e' muito prejudicada  por  falta
de acesso a recursos, tecnologia e cultura.   at possvel  colocar  um
cego numa classe comum de escola, porm os livros so todos impressos em
papel.  Nessas  circunstncias,  o  aluno  pode  utilizar  a  tecnologia
Braille para copiar e fazer seus trabalhos escolares, mas  isso  esbarra
em pontos chaves:

     . rarssimos professores sabem Braille
     . sem o  apoio  de  pessoas  voluntrias  (por  exemplo  a  prpria
       famlia) que se disponham a ler os  livros  impressos  comuns,  o  
       cego  ficar  restrito    informao  verbal  transmitida   pelo 
       professor.

Ao:
     Com o uso do  DOSVOX  o  aluno  pode  fazer  seus  trabalhos  sendo
facilmente compreendido  pelo  professor.    O  DOSVOX,  acoplado  a  um
aparelho de "scanner"  e com o uso de um programa de "Optical  Character
Recognition" (O.C.R.). pode ler textos em papel.

     Os problemas desta ao so disponibilizar o  DOSVOX    comunidade
estudantil, em especial os equipamentos de scanner.  Isso    plenamente
vivel, centralizando alguns equipamentos  em  bibliotecas  pblicas,  a
exemplo do que  feito na Biblioteca de Curitiba.

b) dificuldade de acesso a leitura

     A dificuldade de leitura, visto no item anterior, e fundamental  no
estudo, acompanha sempre o cego.  Por  exemplo,  uma  pessoa  que  tenha
ficado cega, e que j tenha uma profisso, tem  totalmente  tolhido  seu
desenvolvimento profissional.    O  acesso  a  jornais  impressos  s  
possvel  via  uso  de  "ledores",  termo  que  designa   os    leitores
voluntrios.

Ao:
     Como todos os jornais, revistas e livros hoje  so  produzidos  por
computador, o disquete pode, em geral ser lido pelo DOSVOX.  Um  exemplo
disso,  Jornal do CVI da PUC/RJ, que j vai organizar  seus  textos  em 
disquete,  de  maneira  que  possam  ser  facilmente  lidos via  DOSVOX,
viabilizando, assim, seu acesso  comunidade deficiente visual.

     Os  problemas  dessa  ao  se  relacionam       dificuldade    de
conscientizao dos editores da importncia social  de  tal  ao,  pois
embora a disponibilizao dos textos em disquete  no  acarrete  despesa
(uma vez que os textos j so  computadorizados),  provavelmente  tambm
no dar lucro comercial, pois o  nmero  de  exemplares  vendidos  ser
pequeno.

Obs.:  Como uma primeira ao neste sentido, a equipe DOSVOX conseguiu a
liberao por parte da editora IBPI do Rio de  Janeiro,  a  cesso  para
impresso em Braille no Instituto Benjamin Constant de  TODA  biblioteca
bsica de computao.

c) Os deficientes visuais no tem  acesso  a  informaes  basicas  para
convivncia social

      extremamente difcil  para  um  cego  ter  acesso  a  informaes
absolutamente triviais,  tais  como  preco  de  mercadorias,  numero  de
telefone, cardpios, orientaes do  espao  pblico,  caixa  automtica
bancria, etc.  Por outro lado, a tecnologia informtica cada  vez  mais
domina o acesso do usurio  informao.

Ao:
     Prover nas solues tecnolgicas  o  acesso  sonoro,  possivelmente
utilizando a tecnologia  do  DOSVOX,  que    aberta,  e  que  pode  ser
facilmente adaptada a estes equipamentos.

     As  dificuldades  desta  ao  tem  a   ver    especialmente    com
conscientizao dos produtores de que a tecnologia existe e  vivel  de
ser usada, e dos compradores da tecnologia que devem solicitar que  tais
facilidades sejam colocadas.   importante lembrar que muitas "features"
dos sistemas computadorizados so meras "firulas" para atrair o usurio,
e um sistema falado pode ser um elemento altamente atrativo.    Qualquer
microcomputador pode falar.

d) Os deficientes visuais fora das capitais do Brasil no tem  acesso  a
nada

     Virtualmente todas as nfimas facilidades para deficientes  visuais
esto localizadas nas capitais.  Um cego que  nasa  no  interior    um
alijado da cultura.

Ao:
     Atravs da ao de espalhar nas bibliotecas das pequenas cidades do
interior microcomputadores, que, entre outras  coisas,  poderiam  servir
para as pessoas cegas terem acesso aos disquetes gerados nas bibliotecas
das capitais, se poderia levar a cultura ao cego de  cidades  mdias  do
Brasil.  Em especial, via telecomunicaes, os disquetes das bibliotecas
das grandes cidades poderiam ser transportados para as cidades  menores.
O DOSVOX possui suporte a telecomunicaes via telefone.

     As  dificuldades  deste  processo  se  referem    coordenao  das
interaes entre bibliotecas, uma vez que praticamente todas as  cidades
mdias,  hoje  em  dia,  j  esto  equipando  suas   bibliotecas    com
microcomputadores.  O  custo  do  sistema  DOSVOX,  sendo  ridiculamente
baixo, no introduz uma dificuldade maior neste processo.

     Um possvel modelo a seguir  o que vem sendo  adotado  em  algumas
cidades do Brasil, onde pessoas cegas montam  pequenas  estruturas  onde
ensinam a tecnologia DOSVOX (entre  outras)  para  deficientes  visuais,
coordenando este trabalho com as bibliotecas pblicas.

e) Os deficientes visuais poderiam ser muito mais produtivos se tivessem
ensino profissionalizante adaptado.

      Existem uma srie de atividades, que  poderiam  ser  perfeitamente
realizadas por deficientes visuais, com preparo de nvel mdio, com  uso
do  computador.    Alguns  desses  exemplos  so  as    atividades    de
telemarketing, atendimento de reclamaes por  telefone,  recepcionista,
etc...  Essas atividades, naturalmente exigem um treinamento, por razes
bvias.

      Devido ao despreparo do cego em  atividades  especficas,  existem
muito poucos postos de trabalho disponveis nas empresas.

Ao:
      Atravs  da  tecnologia   DOSVOX,    muitas    oportunidades    de
profissionalizao podem surgir.  Um exemplo  o da Embratel,  que  est
promovendo a reciclagem profissional de seus  telefonistas  cegos,  para
poder coloc-los em  novos  pontos  dentro  da  empresa,  em  que  faro
essencialmente  o  atendimento  ao  pblico  utilizando    telefone    e
computador,  prestando  informaes  e   registrando    no    computador
reclamaes e pedidos feitos por usurios.

      Essa profissionalizao poderia ser feita tanto  nas  instituies
destinadas a ensino de cegos, mas principalmente, nas prprias empresas,
da mesma forma que  feita para funcionrios comuns.

f) o uso de computador  pode  dar  novas  oportunidades  a  pessoal  com
estudo, e que fica cego.

      Existem milhares  de  pessoas  que  adquirem  cegueira  depois  de
estarem formados.  Causas variadas, desde doenas at acidentes, retiram
do mercado de trabalho centenas de pessoas  por  ano.    Essas  pessoas,
muitas vezes, tem uma importncia  grande  na  sociedade,  so  mdicos,
juzes, advogados, engenheiros,  que  se  vm  privados  de  meios  para
produzirem.

Ao:
      Viabilizar  o  retreinamento  das  pessoas  que    ficam    cegas,
ensinando-lhes durante o perodo de reabilitao,  o  que  a  tecnologia
pode fazer em cada caso.   O  simples  acesso    informao  de  que  a
tecnologia existe e est disponvel, viabiliza no pessoal mais  culto  o
retorno quase imediato s  atividades  anteriores  ou  a  iniciativa  de
adaptao destas  atividades  s  restries  impostas  pela  tecnologia
existente.  Em ltima anlise,  representa  a  reintegrao  muito  mais
rpida do indivduo  sociedade.

      Pelo fato de que o DOSVOX  uma tecnologia aberta,  ele  pode  ser
usado e adaptado para uso em um sem nmero de atividades.    Um  exemplo
extremo,  o de msicos cegos produzindo msica  por  computador  usando
programas profissionais, acionados via DOSVOX.

g) cego deveria ter acesso  "aldeia global"

      As telecomunicaes so  uma  realidade  dos  tempos  atuais.    O
transporte de informaes atravs da  rede  telefnica,  interligada  ao
sistema  internacional  de  comunicaes,  utilizando   tecnologia    de
satlite, viabiliza o transporte  de  informaes  quase  instantneo  a
qualquer um que  disponha  acesso    Internet,  servio  prestado  pela
Embratel a custo reduzido.

      Para o deficiente  visual,  o  acesso  s  informaes  via  rede,
viabilizaria  a  recepo  de  jornais,  informaes  gerais,  troca  de
mensagens, acesso s centrais de  video  texto,  informaes  bancrias,
etc...

Ao:
      A tecnologia DOSVOX incorpora o acesso s telecomunicaes atravs
de fax-modem.  O que seria desejvel seria um tratamento diferenciado de
tarifas para o uso do deficiente s telecomunicaes.   Uma  instituio
pblica poderia centralizar o armazenamento  das  mensagens  de  correio
eletrnico, e a distribuio de informaes e programas  destinados  aos
deficientes, a exemplo da RENDE, da Universidade de So Paulo.

      Atravs das redes pblicas e de pesquisa, por exemplo,  Renpac,  
vivel ter toda comunidade deficiente visual comunicada entre si e com o
mundo, atravs da Internet.  O custo disso  irrisrio, pois o volume de
informaes a comunicar  compatvel com o servio que  prestado  pelas
BBS comerciais do pas.

h) instituies tradicionais nao tem meios  que  facilitem  o  acesso  
tecnologia

     Ter acesso  tecnologia implica mais do que comprar computadores: o
material humano  o item principal.    Difundir  a  tecnologia  para  as
instituies que j existem  um desafio a  ser  vencido,  uma  vez  que
muitas vezes a  mudana  para  incorporar  a  tecnologia  representa  um
esforo que estas no esto dispostas a fazer.

ao:
      Favorecer  a  instalao  de  equipamentos  e   treinamento    nas
instituies idneas do pas.  A, a iniciativa privada pode  ter  papel
importante,  no  sentido  de,  a  partir  do  pessoal  treinado   nessas
instituies, dar-lhes oportunidade de estgio ou emprego.

i) o cego e a universidade

    Atualmente na UFRJ existem menos de  10  (dez)  deficientes  visuais
cursando cursos de graduao e ps-graduao,  tais  como:  Informtica,
Matemtica,  Direito,  etc.  A  causa  desse  pequeno  nmero  pode  ser
explicada por problemas scio-econmicos do pas que atingem a populao
de baixa renda impossibilitando-os de ingressar nas universidades, e dos
poucos  recursos  encontrados  para  a  formao  dessas   pessoas.    A
dificuldade  ainda maior  medida que  que  o  grau  de  especializao
aumenta. Falta a eles literatura especializada, equipamentos e monitoria
especial.

ao:
     A universidade tem sempre sempre atuado como o centro  de  produo
de  tecnologia.  As  indstrias  buscam  suas  solues  em    pesquisas
desenvolvidas dentro das universidades. Assim,  ela  tem  gradativamente
conseguido papel de destaque dentro da sociedade. O que se prope  agora
 a utilizao dessa tecnologia j produzida no auxlio aos deficientes.
Ou seja, o papel da universidade passa a ser no apenas o de desenvolver
tecnologia, mas de desenvolver com humanidade. O auxlio  ao  deficiente
pode ser encarado como um investimento a mdio prazo, que acarretar  em
retorno de novas tecnologias para a prpria  sociedade  produzida  agora
pelos  prprios  deficientes.  Essas  novas  tecnologias    podem    ser
reaplicadas, produzindo ento um ciclo que se auto impulsiona.

j) necessidade de treinamento de pessoal de programao para difundir  a
tecnologia de fala aos mais variados campos.

      A tecnologia de fala  existe  e  funciona.    Aplic-la  a  campos
especficos exige que existam programadores e analistas de sistemas  com
domnio dela.  Embora essa tecnologia seja simples, mas  necessrio  um
esforo de sua difuso no mbito tcnico.

Ao:
        importante  promover  treinamentos  e  publicaes  em  que   a
tecnologia seja explicada para que possa, em curto espao de  tempo  ser
dominada pelo pessoal tcnico.

 5 - Concluses

      O projeto  DOSVOX  foi  criado  utilizando  tecnologia  totalmente
nacional.  Tanto o software quanto o hardware so projetos originais, de
complexidade  baixa,  e  adequados  s  necessidades   e    dificuldades
financeiras do Brasil.

      O impacto do sistema DOSVOX sobre a comunidade cega  e  deficiente
visual    tremendo,  e  pode  ser  facilmente  avaliado  pela    imensa
repercusso na imprensa escrita, falada e televisada.  O projeto  DOSVOX
pode ser uma cunha que abra novos espaos  a  uma  parte  importante  da
populao brasileira, e em especial nordestina, cujo  destino  forou  a
uma sria de limitaes.  Com o uso  efetivo  do  sistema,  adaptado  s
reais necessidades dos cegos do Brasil, esperamos dar mais um  passo  no
sentido de tornar os deficientes visuais em elementos mais produtivos  e
melhor integrados  sociedade.

      Entretanto, ele  apenas uma ferramenta.  Para que ela  possa  ser
efetivamente importante,  necessrio o incio imediato  das  aes  que
possam aplic-la ao maior nmero de deficiente visuais do nosso pas.  E
isso depende do esforo de todos.
