                Minuta de projeto de lei.

                Livros em disquetes para cegos.

        Artigo 1 As editoras das Universidades estaduais devero
fornecer aos cegos, mediante pagamento, cpias em disquetes dos livros
editados e de autoria do respectivo corpo docente.

           Pargrafo nico. Os disquetes sero fornecidos exclusivamente
em Editor contendo arquivos com exteno TXT,nico   compatvel
para cegos.

        Artigo 2 As respectivas editoras
devero adotar os trmites
necessrios com as congneres do exterior, a fim de que os livros
impressos em suas oficinas, mediante convnios, intercmbios ou
contratos sejam vendidos de conformidade com o artigo primeiro desta lei.


           Pargrafo nico. Os contratos ou convnios contero
 clusulas para recebimento  de originais em disquetes.

        Artigo 3 As revistas impressas em todos os departamentos das
universidades estaduais, ficam tambm sujeitas ao estabelecido nos
artigos 1 e 2 desta lei.

        Artigo 4 Os departamentos de publicaes e vendas das
universidades estaduais, adotaro
as medidas cautelares eletrnicas e comerciais,que inviabilizem a
pirataria eletrnica e desvios de mercado.

        Artigo 5 Esta lei entra em vigor noventa dias aps sua
publicao.

        Santos, 14 de dezembro de 1996
        Lino de Jesus Lavor
        Idealizador da presente minuta.

    Observao: Segue em anexo, arrazoado com argumentos, que
deram respaldo a elaborao da presente minuta.
                Gnese do Sistema Dos Vox para cegos
O sistema foi criado em 1992 na Universidade Federal do Rio de
Janeiro, pelas seguintes pessoas:
Jos Antonio Borges (coordenador  e programador),  Marcelo Pimentel
Pinheiro (programador), Orlando Jos Rodrigues Alves (programador),
Diogo Fujio Takano (eletrnica), Eliseu Gonalves (eletrnica), Fbio
David (programador), Rui Alexandre Parreira dos Santos (programador),
Flvio Duarte Pimentel (programador) , David Cipriano (programador),
Francisco Gonalves (programador do Serpro), Airton da Biblioteca de
Curitiba (programador). Participaram em diversas fases do projeto:
Cludia Magalhes (voz), Sonia Maria Paixo Borges (voz), Marcelo da
Cunha Ramos (voz), Andrea Rodrigues (voz e manual), Liane Paixo Borges
(voz), Tiago Paixo Borges (voz), Ktia Garcia Oliveira (voz e
distribuio), Luiz Cndido Pereira Castro (distribuio original).
Programao e Engenharia do sintetizador de voz: Takano e Eliseu;
Mecanismo de fala temporizada: Orlando;
Sntese de fala em portugus: Antonio;
DOSVOX: Antonio;
EDIVOX: Marcelo;
IMPRIVOX: Antonio;
BRAIVOX: Antonio;
TELEVOX: Antonio, Marcelo e David;
AGENVOX: Antonio;
CALCUVOX: Antonio;
MEMOVOX: Antonio;
SENHAVOX: Rui e Flvio;
MISTUVOX: Antonio;
FORCAVOX: Antonio;
NIMVOX: Fbio;
VOX: Orlando;
VOX2: Antonio;
CHEQUEVOX: Chiquinho;
SORTE VOX: Airton;
Agradecimentos Especiais:
Ethel Rosenfeld (Abedev e Instituto Oscar Clark);
Jonir Bechara (Instituto Benjamin Constant);
Luisa Pereira Castro;
Marcelo Pereira Castro;
Laycab (TR-1 Sistemas)
Alunos do curso de Informtica da UFRJ

   Atividades da equipe do Sistema Dos Vox para deficientes visuais.

        Tendo apresentado a origem do Dos Vox para deficientes visuais
e a valorosa equipe de articuladores do Sistema -dentre os quais se
destacam vrios cegos- cumpre assinalar as aes em mbito nacional,
concretizadas por esses abnegados, envolvidos nesse  grandioso
empreendimento social de cidadania da Universidade Federal do Rio
de Janeiro.

        Assim, dentre os mais recentes eventos, destaca-se o simpsio
realizado em julho de 1995, levado a efeito naquela universidade e
com respaldo do Instituto Benjamin Constant  daquela cidade. No referido
evento mais de uma centena de deficientes visuais de todo Brasil 
afluiram.  Em agosto de 1996  a UFRJ mandou para Belm do Par, equipe
do Sistema  Dos Vox, a fim de apresent-lo aos deficientes visuais
daquele estado. Para 18 de janeiro de 1997, a UFRJ e o Instituto
Benjamin Constant demarcaram novo simpsio para o qual deveram afluir
mais de duzentos cegos do Brasil. Como das outras vezes, novos
progressos do Sistema Dos Vox sero apresentados aos cegos .

        A Equipe Dos Vox, a UFRJ e o Benjamin Constant  assim dotados de
um passado espiritual, de um presente social marcante e de vontade
vigorosa que arremetem os deficientes visuais para um futuro de
igualdade perante os videntes. Neste ponto  importante especificar que
o kit completo do Dos Vox  vendido aos cegos por cento e vinte reais,
enquanto um similar importado no custa menos de dois mil reais!
Todavia ainda tem mais. To amplos so os atributos do Dos Vox, que
poderemos dizer que ele est aureolado por vigor divinatrio. Sabem
porqu, senhores? Porque os olhos de mais de quinhentos  cegos do Brasil
j choraram lgrimas de alegria. Com essas lgrimas de agradecimentos os
cegos, seus pais, filhos, esposas, maridos e avs tambm agradeceram a
Deus,   equipe e  UFRJ esse luzeiro tecnolgico, embrincado por luz
csmica de lampejos  divinatrios. Isto, senhores, no  pura retrica
ou discurso de sofista. O potencial do Dos Vox  to poderoso, que nesta
cidade de So Paulo, uma pequena escola especializada na reabilitao de
crianas portadoras de deficincia motora dos membros superiores e sistema
fonador, tambm utiliza com xito indescrtivel o Sistema Dos Vox da
UFRJ. Essas crianas comunicam-se atravs do Dos Vox com seus pais,irmos
e outras pessoas; tudo isto lhes era negado antes. Assim, essas crianas
e seus entes queridos verteram lgrimas de agradecimentos ao Pai Todo
Poderoso. Sem dvida, isto  um caudal de lgrimas que promovem o
renascer espiritual, verdadeiro batismo de salvao. Assim prova-se a
importncia da extenso do Dos Vox a outras reas de deficientes. Isto 
 uma outra verdade, que os interessados podero obter clara e
distintamente na UFRJ .

        Num passado no muito distante, ns paulistas utilizvamos a
metfora: So Paulo  a locomotiva do Brasil. Sim ou no at podemos
continuar utilizando esta figura de linguagem. Mas excelentes cabeas
pensantes, tambm aludiram que a metfora  transformao. Assim
devemos aceitar que os vages da metfora paulista se transformaram
em locomotivas. E pelo que se v a locomotiva da Universidade Federal
do Rio de Janeiro est com muito mais energia que as locomotivas
paulistas. Concretamente, a UFRJ, com o vigor de seu corpo docente
extrapolou  robustamente para o campo social e olha para os olhos
dos cegos e os transformam em cidados. Isto  trabalho concreto de
quem verdadeiramente reflete - pensa no social - mas pensa
reflexivamente, portanto sintetiza solues reais e
propiciadoras de um mnimo de cidadania. Um domnio onde poucos
produzem obras concretas.

        A esta casa cabe, ante tudo o que foi dito, inocular energia,
mediante a aprovao  do presente ante projeto de lei,  s nossas
universidades estaduais, a fim de que as mesmas continuem seu movimento
no rumo da socializao.

            Santos, 15 de dezembro de 1996
            Lino de Jesus Lavor
            Autor desta minuta
